quarta-feira, setembro 01, 2010

Áporo



“Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.
Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?”
A vida é assim: teses seguidas de antíteses.
Mesmo sem esperança damos prosseguimento às coisas. Cada qual a sua maneira, alguns pacificamente, outros preferem ser vítima de seu próprio enredo, alguns se acomodam com a posição de ser apenas observadores, mas são poucos que levantam a cabeça e acreditam na mudança, buscam novos caminhos.
“Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:
em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.”
E são realmente as pessoas que lutam contra a lógica, as regras impostas, as leis que regem algo, que conseguem, mesmo que sós neste ideal: revolucionar a vida.
Ser herói diante um senso em comum e uma vontade compartilhada não é conquista.
Ser vitorioso mesmo nas derrotas é em suma a verdadeira meta atingida. Afinal: vencer é fazer algo por seu ideal mesmo que ele não seja almejado.
Cruzar os braços é sinônimo de passividade.
Ir à luta, atuar, e ser aquele, entremeio ao infinito, que fez algo em prol de um pensamento, mesmo que seja apenas seu, já foi louvável e o marco que elevou cidadãos comuns à posição de grandes líderes!
Como sabiamente já foi dito: 'questionar é evoluir' e ser diferente é alçar vôos por horizontes desconhecidos!

segunda-feira, agosto 30, 2010

O último dia do ano



Nem tudo que marca o fim, apesar das aparências, É O FIM.
Limpar as sobras, os resquícios, as cenas que preenchem nosso subconsciente é mais difícil do que o ato em si de uma ruptura.
Vivemos normatizando a vida: 'começo, meio e fim'. Entretanto 'de tudo fica um pouco'.
Existem marcos mas não há certezas nem pontos fixos indicando inícios e términos.
“O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.”
Porque por mais que as coisas concretas sejam findas os sentimentos não são. O abstrato não perece, apenas as mudanças se mantêm!

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