domingo, abril 11, 2010

A um Ausente



“Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.”
E lá se vai mais um 'dia nove'!
Uma situação irreversível, onde meses e meses que passam como o folhear de um livro - e não traz nas páginas seguintes um sentimento aquém ao proporcionado pelos escritos já lidos - me consomem.
Esperança taciturna! Afinal, não tenho mais a dádiva de tê-lo aqui, ao meu lado, e não sei se a morte é o fim ou começo.
“Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.”
Foi assim, de repente, sem o 'adeus' nas mãos, sem a tristeza nos lábios, como alguém que sai e não se despede pela certeza da volta!
Será que você confiava em um retorno ou em nosso reencontro?
Não sei...
Sei que sinto falta de alguém assim, como você. E que me perdoem os demais amigos, mas você é insubstituível.
De gestos e atitudes simples, de sua timidez, das implicâncias comigo, dos abraços apertados, das danças 'malucas' que inventava e das inúmeras gargalhadas... SAUDADES!
“Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.”
Porque eu juro a você que se estivesse naquele dia ao seu lado, não lhe deixaria partir, nem permitiria que sofrimento algum lhe vitimasse... Pois um amigo de verdade sofre mais quando a dor é do outro... de alguém que se ama tanto!

domingo, março 21, 2010

Amar



Depois do abraço de despedida me senti incompleta.
Não sei se foi ele quem levou uma parte de mim ou se sou eu que preciso me adaptar com o que ele deixou!
Sei que serão longos 5 meses pela frente.
Dias de inquietação, desconforto, lágrimas e, no final de tudo, a saudade.
“Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?”
A vida muitas vezes nos coloca em prova. Quando tudo parece estar bem, somos submetidos a novos desafios.
Não se engane leitor! Não é falta de amor, nem um término de namoro! É apenas um sonho antigo que somente agora pôde respirar a doce e cruel realidade.
“Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?”
Conto, mais uma vez, com a complacência do tempo que se estica e encolhe diante dos olhos. O tempo as vezes parece ser elástico.
Dias e dias não têm a mesma duração! Alguns eu nem percebo ter vivido, passam como certas estações: primavera/verão. Já outros, ah estes outros, parecem durar muito além daquelas convencionais 24h.
“Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.”
Os passos lentos... o olhar, pausado, para trás... me fizeram perceber a grandiosidade do amor... do amor RECÍPROCO!
“Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.”
Apesar da ausência, da distância, dos dias de sofrimentos que estão por vir, não há maior dádiva que o amor correspondido!
“Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.”
Seja como for, agradeço a Deus por ter você e lhe sou grata pelo sentimento construído e hoje solidificado.
O que nos aguarda? Não sei... Só posso dizer que até então: "VALEU A PENA!"

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