quinta-feira, maio 24, 2012

Nosso tempo




O engraçado é que quando acreditamos piamente em algo que idealizamos, mesmo que demore e/ou aconteça de forma um pouco diferente, um dia há de se concretizar... Depende de nós e dos conceitos que carregamos na bagagem.
Quando criança, 'ser gente grande' parece incrível. A concepção que temos nesta fase é que podemos tudo, somos capazes de conquistar o impossível. 
Quando adolescentes corremos, desesperadamente, atrás daquilo que necessitamos, almejamos, ansiamos.
Ah, mas em seguida vem a maturidade... 
Não, não a maturidade da alma, aquela de experiências acumuladas... Falo da maturidade física, do ser adulto pela idade. 
Essa é a pior... decepção atrás de frustração!
O que fazer?
Pirraça? 
Para quem?
Daí existem duas opções: lutar ou acomodar...
... Acomodar é tão cômodo, não?
Só tem um 'porém': quando o cômodo azeda, começa a incomodar!
Será que já é tarde? Dá tempo de mudar as coisas?
Então você olha ao redor: muitas, diversas, várias, inúmeras oportunidades...
São tantas, não? Lidar com um espaço amostral mais delimitado é sempre mais fácil. Ou 'é' ou 'é'! Não tem para onde fugir. É levantar a cabeça e encarar. 
Quando há um número considerável de alternativas a gente acaba optando por NENHUMA DELAS! Desvaloriza a sorte, a capacidade... desvaloriza a coragem!
E quando falta-nos força para seguir, buscar, recomeçar, lutar... é preciso que nos reste o mais importante: FÉ! Fé para manter-nos vivos, literalmente. Fé para acreditarmos cegamente... por mais tantas e tantas vezes em que a passividade atingir nossos sonhos.
"Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos."

segunda-feira, setembro 05, 2011

A verdade dividida



"A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam."
E foi assim que a notícia chegou. Devagar e incompleta, o que não a fez menos dolorosa.
Jamais imaginei que este dia se concretizasse. (Quisera eu que jamais acontecesse).
...
Quando criança pedia ao Papai do Céu para nunca levar minha vovó.
Passados anos, o pedido se alterou, queria partir antes dela.
Depois, entendi que estava sendo egoísta: para todo começo um fim.
...
Entendi, nunca aceitei!
...
Ainda nas escadas me disseram:
"Aneurisma Cerebral!"
Mal sabia o que era mas algo me dizia que precisa vê-la.
No caminho, entre lágrimas -a esperança de um engano, uma recuperação, um susto apenas - constituíam MINHA MEIA VERDADE!
Logo entrou a outra metade...
...
Ela não estava mais ali... e por mais que eu chorasse, implorasse, acreditasse em milagres...
Ela não podia voltar!
"Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra."
Havia duas opções: vê-la sofrer só para não perdê-la ou aliviar sua dor e aprender a conviver com sua ausência...
"Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia."
Não optei... estou até hoje tentando conviver com sua ausência pois neste caso a escolha não era minha!
Eis o designo de Deus.

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