domingo, maio 24, 2009

Os ombros suportam o mundo



“Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.”
Quisera eu que 'esse tempo' fosse findo! Dias difíceis que nos levam a pensar em desistir pois as soluções não estão ao alcance de nossos dedos...
No jornal: criminosos viram celebridades. Nas revistas: a dor de uma tragédia transforma-se em espetáculo. Nas escolas: a prática de atos violentos demonstra a 'hierarquia dos mais fortes'. Nas ruas: pessoas clamam por um 'prato de comida'. Nas noites: meninas viram mulheres ao venderem seus corpos...
A questão é: por que, logo hoje, isso tudo me encomodou tanto?
Será que eu acordei mais sensível esta manhã?
Acredito que não!
O fato é que tudo isso tornou-se tão banal, tão comum, que assustador seria assistir um noticiário sem assassinatos, corrupções e tudo isso que já está 'inerente' ao nosso cotidiano.
Na verdade, me dei conta desses acontecimentos hoje porque eu QUIS ENXERGÁ-LOS. Desta vez, diferente das demais, quando uma criança me pediu uma moeda eu não fingi que ela não existia. Não disfarcei, não olhei para o outro lado como se não houvesse ninguém falando comigo. Eu a ENCAREI e por mais que eu tenha tido uma atitude errada em dar a ela a 'tal moeda', pela primeira vez eu tive a dúvida de como resolver o problema daquela e de inúmeras crianças que se encontram na mesma situação! Sim, eu senti necessidade em fazer algo, em reagir, em mudar esta triste realidade.
“Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.”
Duro, frio, ríspido o pensamento de Drummond, não?
Sim. Só que mais apavorante ainda é descobrir que inúmeras pessoas não reconhecem que também pensam assim. Que também jogaram tudo para o alto e simplesmente deixaram a vida os levar! Que deixaram de sentir o peso nos ombros pelo fato de estarem calejados e construíram uma resistência a tudo e a todos!
“Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou o tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificações.”
O caos está estampado em nosso dia a dia. No entanto, temos que somar forças e lutar para que a vida possa se assemelhar ao mundo idealizado que sonhávamos quando crianças...


Covardia? Deixemos-na apenas para os egoístas!

3 comentários:

Aninha disse...

Amo esse poema! Pq retrata a realiadade com poesia..

E vc a complementou d forma surpreendente

*-*

Marina disse...

O caos está estampado em nosso dia a dia. No entanto, temos que somar forças e lutar para que a vida possa se assemelhar ao mundo idealizado que sonhávamos quando crianças...
Covardia? Deixemos-na apenas para os egoístas!

PERFEITO!

realmente, só criticar e permanecer d braços cruzados não resolve nada.

Patricia disse...

No entanto, temos que somar forças e lutar para que a vida possa se assemelhar ao mundo idealizado que sonhávamos quando crianças...

Covardia? Deixemos-na apenas para os egoístas!


Vamos sonhar!

LindooO

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